Arquivo de Novembro de 2007

Processo sim, mas com suporte a ele…

Essa semana recebi um email de uma amiga divulgando o MPS.BR, que é uma iniciativa nacional de desenvolvimento de um processo de melhoria de software que atenda e se adeque ao mercado nacional. Assim como outras soluções para melhorias de processos, como o ISO 9000 ou o CMMI, o MPS.BR envolve uma séria de mudanças no dia a dia dos funcionários da empresa para que eles possam executar todos os objetivos propostos.
Nesse momento que entram as ferramentas de apoio ao usuário. Seja o CVS, uma planilha eletrônica ou um software específico para isso; devemos pensar em quem realmente importa nesse processo, o usuário! Acontece que, mesmo que a empresa defina regras e mais regras, se o usuário achar dificil a execução das mesmas ele vai acabar ignorando passos ou fazendo os mesmo pela metade, o que as vezes é pior do que não fazer a tarefa. Eu sei que isso é verdade porque já trabalhei com processos onde as ferramentas não facilitavam a vida do desenvolvedor e acabava fazendo tudo que acabei de descrever, o que era o terror para as equipes de atendimento e suporte.
Ao escolher a ferramenta ideal devemos pensar que a ferramenta deve dar suporte tanto ao usuário quanto a tarefa. Quando me refiro ao usuário, a ferramenta deve ser construida de forma que o usuário reconheça na mesma elementos do seu dia a dia, falando o mesmo “idioma”. O suporte a tarefa deve ser realizado de maneira a gastar a menor quantidade de energia possivel, permitindo ao usuário concluir de maneira rápida e transparente sua tarefa.
Então entenda… De nada adianta sua empresa adotar o melhor processo para desenvolver o melhor software se metade do custo de seus projetos forem alocados em criação de documentos que poderiam ser otimizados.

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Internacionalização, Internationalization, i18n…

O conceito de internacionalização de um site não envolve apenas traduzir as mensagem e os demais elementos de texto presentes do mesmo. Como cada cultura possui diversas particularidades, devemos pensar em todos esses aspectos de forma que o visitante não enfrente maiores dificultades ao utilizar o sistema.
O primeiro passo é permitir que o usuário selecione a localidade em que se encontra. Os browser enviam essa informação por padrão a cada request mas sempre existe a possibilidade do usuário desejar alterá-la. Um exemplo é quando você utiliza o sistema operacional em inglês mas deseja acessar sites em português. Nesse caso, seu sistema deve permitir ao usuário alterar sua localização e persistir essa informação enquanto o mesmo estiver conectado. Uma forma de fazer isso é gravando um atributo de sessão para, a cada request, realizar os tratamentos necessários.

Imagens

Uma vez definida a localização em que o usuário está, devemos observar quais características são dependentes da mesma. Muitos sites criam seus layouts com imagens utilizando conteúdo textual, que deve ser alterado para o idioma do visitante. Para o designer do site isso pode ser um grande problema a partir do momento que esse conteúdo seja essencial para a apresentação desejada.

Formatos e máscaras

Informações dinâmicas como datas e números devem ser formatados para a localidade definida tanto na exibição na tela quanto em campos de entrada. Aqui no Brasil é comum usarmos o padrão dia/mês/ano para datas enquanto nos EUA é utilizado mês/dia/ano. Essa regra também é aplicada para campos numéricos, onde pontos e vírgulas possuem diferentes interpretações de acordo com a localização.
Como as unidades de medida também variam de local para local, elas devem ser exibidas no formato correto. Não estou dizendo que você vai precisar armazenar as distâncias em metros e pés no seu banco de dados, mas essas conversões precisam ser realizadas todas as vezes que uma informação for lida ou exibida na tela.
Dependendo da aplicação do seu sistema, ainda podem existir informações como CPF, números de telefone ou campos que passam por processos regulamentares que fazem os padrões mudarem de local para local, inclusive semanticamente.

Textos

A orientação do texto deve ser considerada pois, em alguns idiomas arábicos, o texto é lido da direita para esquerda enquanto nos orientais, também as páginas são passadas do que consideramos fim para o início, da forma que vemos em vários mangás.
A ordem de exibição de lista e textos varia em função da consideração ou não de acentos no texto. Para nós brasileiros, os caracteres a e á possuem o mesmo peso na ordem alfabética enquanto em idiomas saxônicos os caracteres acentuados são colocados ao final da ordenação.

Além de tudo que já falei aqui, existem os aspectos culturais de cada região que são extremamente complexos de ser adaptados em um sistema. O único, e mais gritante, exemplo que me vem a cabeça agora seria um cadastro onde é solicitado o nome da esposa do cliente. Em cultura monogâmicas é meio que óbvio como tratar essa informação, mas como proceder para culturas que aceitam a poligamia? E olha que só pensei superficialmente…

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